Imagine cinco telas instaladas em bons pontos comerciais de uma mesma região — academias, mercados, restaurantes, clínicas ou condomínios.
Agora imagine empresas locais pagando uma mensalidade para anunciar nessa rede.
A pergunta deixa de ser apenas “quanto custa comprar os equipamentos?” e passa a ser:
essa estrutura consegue gerar receita suficiente para justificar o investimento?
Para responder, faz sentido começar pelo potencial de receita. E, antes de projetar faturamento, entender quanto o mercado já cobra por esse tipo de exposição.
Quanto vale anunciar em uma pequena rede de telas?
Não existe uma tabela oficial de preços para mídia indoor no Brasil. O valor depende da cidade, da audiência, da qualidade dos pontos, da frequência de exibição e das condições da campanha.
Mas ofertas públicas de veiculação em pequenos circuitos — espaço publicitário para anunciantes, não software de gestão de telas — ajudam a construir uma referência.
Em uma amostra de quatro ofertas disponíveis publicamente, encontramos pacotes de veiculação para aproximadamente cinco telas entre R$ 104 e R$ 485 por mês.
| Rede | Pacote de veiculação observado | Preço mensal | Fonte |
|---|---|---|---|
| Vasconcelos Mídias Digitais | Plus — aparecer em até 5 telas (equiv. plano anual) | R$ 104,16 | vasconcelosmd.com.br/indoor |
| memorize.tv | Premium — anúncio em 5 telas | R$ 199,50 | memorizetv.com.br |
| Vitrine Indoor | Starter — campanhas em 5 telas | R$ 297 | vitrineindoor.com.br |
| Place Mídia | 5 telas × R$ 97/tela | R$ 485 | placemidia.com.br |
Nessa pequena amostra, a mediana é R$ 248 por mês — aproximadamente R$ 250.
Isso não significa que R$ 250 seja “o preço de mercado”. A amostra é pequena e os produtos não são idênticos. Mas ela nos dá um benchmark concreto para trabalhar.
Pontos e circuitos mais valorizados podem cobrar significativamente mais.
A conclusão é simples:
o valor de uma rede não está no número de televisores. Está na audiência que passa por eles.
O cenário: uma pequena rede com 5 telas
Cinco telas são uma escala prática para começar: pequena o suficiente para validar o modelo sem exigir uma infraestrutura enorme, mas grande o bastante para começar a entender audiência, vendas e recorrência.
Com base no benchmark observado, podemos trabalhar com três cenários:
| Cenário | Anunciantes ativos | Ticket mensal | Faturamento bruto |
|---|---|---|---|
| Validação | 6 | R$ 250 | R$ 1.500/mês |
| Operação | 10 | R$ 350 | R$ 3.500/mês |
| Boa ocupação | 15 | R$ 450 | R$ 6.750/mês |
Os tickets de R$ 250, R$ 350 e R$ 450 não são promessa de venda. São três pontos dentro de uma faixa compatível com ofertas públicas observadas, usados para testar a matemática da operação.
E aqui aparece uma característica importante do modelo:
a receita pode crescer sem que seja necessário instalar uma nova tela para cada novo anunciante.
Se cada campanha tiver 15 segundos, dez anunciantes ocupam apenas 150 segundos de um ciclo. Mesmo quinze anunciantes representam menos de quatro minutos.
Enquanto houver inventário disponível, uma nova campanha pode aumentar a receita sem exigir proporcionalmente mais infraestrutura.
Essa é a alavancagem da operação.
Mas faturamento e lucro são coisas diferentes.
Quanto custa construir essa capacidade?
No cenário que estamos usando como referência, estimamos um investimento de aproximadamente R$ 2.700 a R$ 5.200 por ponto, considerando display, player, suporte, cabeamento, proteção elétrica e instalação.
Para cinco telas, isso representa um CAPEX aproximado de:
R$ 13,5 mil a R$ 26 mil
O intervalo é amplo porque o padrão de hardware e a complexidade da instalação podem variar bastante.
Depois vêm os custos recorrentes.
Para manter as cinco telas conectadas e gerenciadas, estimamos aproximadamente R$ 239 a R$ 389 por mês em conectividade e plataforma.
Nesse cenário, a Lucimark Profissional representa R$ 89 mensais para gerenciar o conjunto das cinco telas.
Além disso, cada operação pode ter outros custos:
- energia;
- manutenção;
- substituição eventual de equipamentos;
- criação ou adaptação de conteúdo;
- atividade comercial;
- impostos;
- comissões;
- eventual remuneração dos estabelecimentos onde as telas estão instaladas.
Portanto:
faturamento não é lucro.
Agora que temos os dois lados da equação, podemos começar a falar em retorno.
Quando o investimento começa a se pagar?
Imagine que o objetivo seja recuperar o investimento inicial em 24 meses.
Um CAPEX de R$ 13,5 mil representa aproximadamente R$ 563 por mês durante esse período.
Um CAPEX de R$ 26 mil representa aproximadamente R$ 1.083 por mês.
Somando os custos tecnológicos recorrentes, a operação precisaria gerar aproximadamente:
R$ 802 a R$ 1.472 por mês
para pagar conectividade, plataforma e amortizar a infraestrutura em dois anos.
Com um ticket de referência de R$ 350 por anunciante, isso corresponde aproximadamente a:
3 a 5 anunciantes ativos
Mas esse número precisa ser interpretado corretamente.
Três a cinco anunciantes não tornam necessariamente a empresa lucrativa.
Eles representam, nesta simulação, receita suficiente para cobrir a infraestrutura tecnológica e sua amortização em 24 meses. Comercial, impostos, manutenção, conteúdo e outros custos continuam existindo.
Se a meta for recuperar o investimento em 12 meses, a necessidade sobe para aproximadamente:
R$ 1.364 a R$ 2.556 por mês
No mesmo cenário de R$ 350 por anunciante, seriam necessários cerca de 4 a 8 anunciantes ativos apenas para cobrir tecnologia e amortização da infraestrutura.
A conclusão é importante:
ocupação comercial pesa muito mais na viabilidade da rede do que economizar alguns reais na tecnologia.
Duas redes iguais podem ser negócios completamente diferentes
Imagine duas redes.
As duas têm cinco telas, equipamentos semelhantes, a mesma plataforma e praticamente os mesmos custos tecnológicos.
Uma tem três anunciantes.
A outra tem doze.
A infraestrutura quase não mudou.
A economia do negócio mudou completamente.
Isso acontece porque um novo anunciante não exige necessariamente uma nova tela. A infraestrutura já existe.
Enquanto houver inventário disponível, o que precisa crescer é principalmente a capacidade de vender, operar e reter clientes.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quanto custa uma tela?”
Mas:
quanto vale a audiência que passa por ela?
Antes de comprar as telas, tente vender
Se eu estivesse começando uma pequena rede hoje, faria quase o processo inverso.
Primeiro escolheria bons pontos.
Depois desenharia uma proposta simples para anunciantes locais.
E tentaria conseguir interesse comercial antes de investir pesado em hardware.
Um caminho possível seria:
- escolher cinco pontos com circulação frequente;
- entender quem é a audiência desses lugares;
- identificar empresas que gostariam de falar com esse público;
- criar um pacote simples, como presença nas cinco telas durante um mês;
- testar se existe disposição real de compra.
Uma academia, por exemplo, pode ser interessante para nutricionistas, restaurantes saudáveis, clínicas de estética, suplementos ou outros serviços da região.
Se alguns anunciantes demonstrarem interesse, você já tem uma evidência muito mais valiosa do que uma projeção numa planilha.
Se ninguém se interessar, talvez o problema esteja nos pontos, na audiência, no preço ou na própria proposta.
É muito mais barato descobrir isso antes de instalar dezenas de telas.
Comece com 5. Valide. Depois escale.
Cinco telas podem ser o laboratório da operação.
Com elas já é possível descobrir:
- existe audiência relevante?
- os anunciantes entendem o produto?
- o mercado aceita o preço?
- quanto tempo leva para fechar uma venda?
- as telas permanecem online?
- os clientes renovam?
Essas respostas começam a transformar hipótese em negócio.
E ajudam a evitar um dos erros mais caros desse tipo de operação:
escalar antes de descobrir se o modelo funciona.
O papel da tecnologia
A tecnologia, nesse contexto, deve simplificar a operação — não dominá-la.
É por isso que tentamos manter a Lucimark simples: conteúdos, playlists, agendamentos e players gerenciados em um único lugar, para que a complexidade tecnológica não cresça a cada novo ponto.
Então, uma rede de 5 telas dá dinheiro?
Pode dar.
Mas não simplesmente porque cinco televisores estejam ligados.
Uma pequena rede começa a ficar economicamente interessante quando consegue combinar bons pontos, audiência relevante, anunciantes recorrentes, ticket sustentável, custos controlados e boa operação.
A infraestrutura cria a oportunidade.
A capacidade comercial transforma essa oportunidade em receita.
E a operação determina se essa receita consegue se repetir.
Cinco telas não precisam ser o destino.
Podem ser o laboratório.
Se a primeira rede atrai anunciantes, mantém boa ocupação, opera com estabilidade e gera receita recorrente, você deixa de ter apenas uma projeção.
Passa a ter um modelo validado.
A pergunta então deixa de ser:
“Será que funciona?”
E passa a ser:
“Qual é o próximo bom ponto?”
E, antes dela, uma pergunta comercial: como conquistar os anunciantes que sustentam essa receita. Escrevi um roteiro para essa etapa em como vender anúncios em telas.
Sobre os números deste artigo
Os preços de publicidade usados como referência foram levantados a partir de ofertas públicas de pequenas redes brasileiras consultadas em setembro de 2026. A amostra é indicativa e não constitui uma média estatística ou tabela oficial do setor.
Preços, frequência de exibição, duração dos anúncios, audiência, localização e condições contratuais variam entre redes.
Os valores de investimento, custos e faturamento apresentados são estimativas e cenários de análise. Não representam promessa de vendas, lucro, rentabilidade ou prazo de retorno.
Antes de investir, construa uma projeção baseada nos seus próprios pontos, público, preços e custos.

