As telas estão instaladas. A programação está rodando. Você já consegue imaginar academias, mercados e restaurantes exibindo anúncios de empresas da região. Falta a parte que transforma essa estrutura em negócio: alguém pagar para aparecer nela.
No artigo sobre receita, custos e payback de uma rede de cinco telas, mostramos como avaliar a viabilidade da operação. Mas a receita projetada depende de um trabalho bem concreto: conquistar e manter anunciantes.
Para começar, você precisa explicar onde a marca vai aparecer, por que esses lugares fazem sentido para ela e o que será entregue em troca do investimento.
Este artigo apresenta um roteiro para organizar esse trabalho. Dez anunciantes são uma meta de planejamento, não uma promessa de resultado. A quantidade adequada depende dos pontos disponíveis, da programação e da frequência que você consegue entregar.
1. Venda presença local, não apenas segundos na tela
“Tenho cinco telas e vendo anúncios de 15 segundos.”
A frase descreve o formato, mas ainda não explica o valor para quem compra.
Para uma empresa de refeições saudáveis, pode ser mais relevante saber que o anúncio aparecerá em academias próximas da sua área de entrega. Para uma escola de idiomas, pode fazer sentido estar em locais frequentados pelas famílias do bairro.
A conversa começa pela conexão entre o público do anunciante e o ambiente das telas.
Antes de prospectar, prepare uma apresentação curta com fotos reais dos pontos, endereços, posição das telas, horários de funcionamento e condições da campanha. Inclua um exemplo de anúncio no formato correto.
Quem recebe a proposta deve conseguir responder rapidamente: onde minha marca vai aparecer e por que isso pode ser interessante para o meu negócio?
Se ainda não mediu a audiência, seja transparente. Uma estimativa de circulação informada pelo estabelecimento não equivale ao número de pessoas que viram o anúncio. Multiplicar exibições por uma audiência presumida também não transforma uma hipótese em alcance comprovado.
Uma rede pequena, bem apresentada, transmite mais confiança do que números que você não consegue explicar.
2. Procure empresas para as quais aqueles pontos fazem sentido
Comece pela vizinhança das telas.
Quem atende naquela região? Quem tem uma oferta que pode interessar às pessoas que passam por ali? Quem conseguiria receber novos clientes vindos desses pontos?
Algumas combinações ajudam a visualizar o raciocínio:
| Ambiente da tela | Possíveis anunciantes | Conexão a explorar |
|---|---|---|
| Academia | Refeições saudáveis, lojas esportivas, nutricionistas | Produtos e serviços relacionados à rotina de treino |
| Mercado de bairro | Restaurantes, escolas, serviços residenciais | Necessidades de quem vive na região |
| Restaurante comercial | Coworkings, cursos, serviços para empresas | Rotina de trabalho no entorno |
| Condomínio | Lavanderias, pet shops, manutenção residencial | Conveniência próxima de casa |
Esses exemplos são pontos de partida. Confirme o perfil de cada local e as restrições do parceiro que recebe a tela, especialmente quanto a concorrentes e categorias de anúncios.
Monte uma primeira lista de 30 empresas para testar a abordagem. Para cada uma, registre um canal comercial de contato, o motivo da escolha e uma ideia concreta de campanha.
Uma loja de refeições pode divulgar entregas no horário do jantar. Uma escola pode apresentar o período de matrículas. Uma lavanderia pode destacar a retirada no condomínio.
Esse cuidado ajuda a transformar um contato genérico em uma conversa relevante.
3. Monte uma oferta que caiba em uma página
No começo, uma oferta clara ajuda mais do que uma tabela cheia de modalidades.
Considere este exemplo ilustrativo:
Campanha de 30 dias em cinco telas da região, nos pontos e horários descritos na proposta. Uma peça de até 15 segundos, com frequência de inserção definida, adaptação inicial da arte e uma atualização durante o período. Relatório de veiculação ao final.
Para virar uma proposta comercial, esse resumo precisa de preço, datas, locais, condições de pagamento e prazo de aprovação da peça.
Defina também o que está incluído na adaptação da arte. Ajustar uma imagem fornecida pelo anunciante é diferente de produzir um vídeo do zero.
A proposta deve esclarecer como serão tratadas interrupções, reposições de veiculação e cancelamento. Quanto mais claras forem essas condições, menor a chance de expectativas diferentes depois da contratação.
Antes de vender mais, confira a capacidade
Dez anúncios de 15 segundos ocupam 150 segundos de programação — dois minutos e meio. Conteúdos do estabelecimento, avisos e outras peças aumentam esse ciclo.
Se um anúncio aparece uma vez a cada cinco minutos, são 12 inserções programadas por hora. Em 12 horas de funcionamento, seriam 144 por tela, desde que a programação seja cumprida sem interrupções.
Esse cálculo descreve exibições previstas, não pessoas alcançadas.
Ao adicionar anunciantes, você precisa preservar a frequência contratada. Pode ser necessário limitar vagas, dividir a rede em grupos ou oferecer faixas de horário específicas.
A meta comercial deve caber na programação. Vender além dessa capacidade compromete a entrega e dificulta a renovação.
4. Defina o preço considerando a entrega e os seus custos
Não existe um valor único que sirva para qualquer tela. Localização, visibilidade, contexto, duração da campanha, frequência e serviços incluídos mudam a proposta.
Para construir seu preço, retome os custos de começar e operar uma rede de telas. Além da estrutura, considere o tempo necessário para prospectar, adaptar peças, atender o anunciante, acompanhar campanhas e emitir relatórios.
Faça a conta com ocupação parcial. As vagas ainda não vendidas continuam disponíveis, mas a operação precisa funcionar enquanto você procura os próximos clientes.
Se oferecer uma condição de lançamento, deixe explícitos o prazo e o valor posterior. Se houver desconto por um compromisso mais longo, verifique se a contrapartida compensa a redução de receita.
Evite criar um preço que só sustenta a operação quando todas as vagas estão ocupadas.
Exclusividade por segmento também exige cuidado. Ela pode ser valiosa para um anunciante, mas impede outras vendas. Antes de precificar, defina quais atividades, pontos e períodos ficam abrangidos.
5. Faça uma abordagem curta e específica
A primeira mensagem precisa abrir uma conversa. Você pode apresentar os detalhes depois que houver interesse.
Imagine uma empresa de refeições saudáveis próxima das academias da rede:
Oi, Ana, tudo bem? Sou Carlos. Opero uma rede de telas em academias aqui na região do Moema. Achei que as refeições da NutriFit poderiam fazer sentido nesses pontos. Posso te enviar as localizações e uma proposta curta para anunciar?
Adapte o exemplo: troque os nomes, o bairro e a empresa pelos seus. Use essa mensagem apenas quando a relação com os pontos for real. Trocar o nome da empresa sem adaptar o motivo do contato enfraquece a abordagem.
Quando houver interesse, faça uma pergunta antes de enviar a proposta:
Hoje faz mais sentido divulgar uma oferta específica ou tornar a marca mais conhecida aqui no bairro?
A resposta ajuda a orientar a peça, o período e a forma de acompanhar a campanha. Uma oferta para gerar pedidos precisa de um caminho de resposta claro. Uma campanha de presença de marca pede outra conversa sobre avaliação.
Envie uma apresentação curta, com os locais e as condições. Se possível, mostre como a peça ficaria na tela, identificando a montagem como uma simulação.
Se não houver retorno, faça uma retomada breve com algo útil, como uma foto do ponto ou uma sugestão de campanha. Respeite uma recusa e evite insistência repetida.
6. Responda às dúvidas sem prometer o que não controla
“Como vou saber se funciona?”
É uma pergunta legítima. Separe duas coisas: comprovar a entrega da mídia e avaliar o efeito no negócio.
O relatório de veiculação mostra o que foi exibido, onde e quando, conforme os registros disponíveis. Ele não prova, sozinho, quantas pessoas prestaram atenção ou compraram.
Para acompanhar respostas, vocês podem combinar um cupom exclusivo, um QR Code com link identificado ou uma pergunta no atendimento sobre como o cliente conheceu a oferta.
Esses sinais ajudam, mas não capturam todo o efeito da campanha. Uma pessoa pode ver o anúncio e procurar a empresa depois, sem usar o código. Um cupom também pode ser compartilhado com alguém que nunca passou pela tela.
Uma resposta possível seria:
Podemos acompanhar a veiculação e combinar uma forma de identificar respostas à campanha. Não seria correto garantir vendas, mas podemos definir o objetivo antes de começar e avaliar juntos os sinais ao final.
“Já anuncio no Instagram.”
A conversa pode partir do que a empresa já faz.
As telas oferecem presença em locais específicos da rotina do público. Vale discutir se esses pontos acrescentam algo à estratégia atual e se a mesma oferta pode ser adaptada ao ambiente.
Evite apenas reaproveitar uma publicação sem revisão. Uma peça feita para ser lida no celular pode ter texto demais para quem passa por uma tela.
“Achei caro.”
Antes de reduzir o preço, entenda a objeção. É uma limitação de orçamento, uma dúvida sobre os locais ou falta de clareza sobre a entrega?
Quando fizer sentido, ajuste o escopo: menos pontos, um período diferente ou uma faixa de horário definida. Preserve uma proposta que você consiga entregar de forma sustentável.
7. Facilite a contratação
Depois do interesse, o anunciante precisa conseguir avançar sem uma sequência interminável de mensagens.
Organize um caminho simples: conhecer os pontos, entender a oferta, aprovar as condições, pagar e enviar o material.
Uma página com fotos, espaços disponíveis, formatos e condições pode ajudar. Um QR Code na própria tela também pode levar quem se interessou a conhecer as opções de anúncio.
Essa é a proposta do Lucimark Book, um módulo opcional da plataforma: aproximar a descoberta dos pontos da contratação pelo anunciante, com vitrine própria e checkout. A disponibilidade depende do plano e da configuração da operação.
O atendimento continua importante, especialmente nas primeiras campanhas. A contratação deve deixar claro o que acontece depois da compra: envio da mídia, revisão, aprovação e início da veiculação.
Pagamento confirmado não deve ser confundido com autorização para publicar qualquer conteúdo imediatamente.
8. Transforme a meta de dez anunciantes em uma rotina
A meta final dá direção. O trabalho precisa caber na semana.
Um ciclo inicial de quatro semanas pode ser organizado assim:
| Semana | Prioridade | Entrega de trabalho |
|---|---|---|
| 1 | Preparar a oferta | Apresentação, capacidade da programação, preço e lista de 30 empresas |
| 2 | Iniciar conversas | Abordagens personalizadas e registro das primeiras dúvidas |
| 3 | Apresentar propostas | Ofertas ajustadas aos interessados e acompanhamento dos próximos passos |
| 4 | Avaliar e melhorar | Revisão da abordagem, início das campanhas fechadas e ampliação da lista |
Esse é um ciclo de execução, não um prazo garantido para fechar dez clientes.
Uma planilha simples pode registrar empresa, contato, etapa, última interação, próximo passo e motivo de recusa.
Ao final do ciclo, observe onde as conversas param:
- Poucas respostas: revise a seleção das empresas, o canal e a mensagem.
- Interesse sem avanço: verifique se a oferta está clara e se o próximo passo é fácil.
- Propostas sem fechamento: investigue preço, momento, confiança e adequação dos pontos.
- Contratos sem renovação: examine a entrega, o acompanhamento e as expectativas criadas na venda.
Calcule suas taxas com os próprios dados. Uma conversão hipotética pode ajudar a montar cenários, mas não deve ser tratada como previsão de faturamento.
À medida que aprender com as primeiras conversas, ajuste a lista e repita o ciclo.
9. Comece a renovação no primeiro dia de campanha
Conquistar o anunciante é uma parte do trabalho. Ele precisa perceber que existe uma operação cuidando da entrega.
Confirme a entrada no ar, envie uma foto ou registro da peça no ponto e acompanhe eventuais falhas. Uma foto ajuda a mostrar a instalação, mas não substitui o registro da campanha inteira.
Antes do término, apresente o que foi veiculado, os sinais de resposta disponíveis e uma sugestão para o próximo período.
Pode ser atualizar a oferta, simplificar o criativo ou escolher pontos mais coerentes com o objetivo. A renovação ganha uma conversa concreta quando você consegue mostrar o que aconteceu e propor um ajuste.
Se houver uma interrupção, comunique e aplique as condições combinadas. O checklist de uptime de uma rede DOOH faz parte dessa responsabilidade: a entrega comercial depende de telas funcionando.
Uma rede de telas precisa de uma rotina de vendas
Os primeiros anunciantes ajudam a testar mais do que um preço. Eles mostram quais pontos despertam interesse, quais argumentos fazem sentido e quanto trabalho existe entre a primeira conversa e a renovação.
Comece com uma oferta simples, empresas bem escolhidas e uma entrega que você consegue cumprir. Use as conversas e os resultados observados para melhorar a operação.
A tela cria o espaço. Uma proposta clara e uma operação confiável ajudam a transformá-lo em um negócio recorrente.
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