A pergunta chega quase toda semana, quase sempre na mesma forma: "quanto preciso para montar uma rede pequena?". A resposta honesta é que o hardware é a parte barata, e quase nunca é onde o projeto morre.
Vamos à conta de cinco telas em pontos de venda. Ela tem duas partes que costumam ser misturadas — e misturar as duas é o erro mais comum de quem está começando:
- Investimento inicial, o que você paga uma vez para colocar a rede no ar: telas, players, suportes e instalação. É o que se chama de CAPEX — dinheiro que vira equipamento.
- Custos de operação, o que volta todo mês enquanto a rede existir: conectividade, energia, software, conteúdo, suporte e manutenção. É o OPEX — o custo de manter aquilo funcionando.
Quem soma só a primeira parte acha que a rede é barata. Quem esquece a segunda descobre o valor dela no terceiro mês.
O investimento inicial
Tela. Conte com R$ 2.000 a R$ 3.500 por tela de 43" — e vale saber o que essa faixa cobre, porque ela vai de uma ponta a outra de dois produtos diferentes. Uma TV de consumo de 43" começa perto de R$ 1.800. Um display profissional de sinalização do mesmo tamanho fica acima de R$ 3.000: um LG 43UL5Q sai por R$ 3.022, e um Samsung QM43C, R$ 3.599 à vista. Ou seja: o piso da faixa compra TV de sala, o teto compra display profissional de entrada, e a faixa de preço sozinha não diz qual dos dois você levou. Em ponto interno com luz controlada, a TV de consumo funciona. As diferenças que pesam na escolha:
- Brilho. TVs de sala costumam ficar na faixa dos 250–400 nits. Aqui cabe um alerta: "profissional" não é sinônimo de "mais brilhante". A linha de entrada da LG (43UL3J) tem 300 cd/m², praticamente o mesmo de uma TV comum; é o Samsung QM43 que chega a 500 nits. Se o problema é vitrine iluminada ou parede de frente para porta de vidro, olhe o número, não a categoria.
- Uso contínuo. É aqui que a linha profissional se separa de verdade. O LG 43UL3J é especificado para 16 horas por dia, 7 dias por semana; o Samsung QM43, para 24/7. TV de consumo não traz essa especificação.
- Garantia. A cobertura de uso comercial contínuo depende do fabricante e do termo específico — mas na linha profissional o padrão brasileiro é bem melhor: LG do Brasil e Samsung do Brasil dão 3 anos (36 meses) nesses modelos, com atendimento on-site no primeiro ano e rede autorizada nos dois seguintes. Contra o 1 ano típico da linha de consumo, é uma diferença real. Ainda assim, leia o termo do modelo que você vai levar — não a regra geral que alguém contou.
Player. Um Android box razoável custa entre R$ 400 e R$ 900. TV box de consumo começa perto de R$ 200, e é exatamente aí que mora a economia falsa: a diferença entre um aparelho decente e o mais barato do marketplace aparece como travamento semanal.
Suporte e instalação. R$ 300 a R$ 800 por ponto. A mão de obra de fixar um suporte na parede fica entre R$ 150 e R$ 350 nos marketplaces de serviço; o resto é o suporte em si, a passagem de cabo, a altura e — a linha que mais estoura — se o ponto precisa de tomada nova.
Para cinco pontos, isso dá:
| Item | Cinco unidades |
|---|---|
| Telas (43") | R$ 10.000 – 17.500 |
| Players | R$ 2.000 – 4.500 |
| Suporte e instalação | R$ 1.500 – 4.000 |
| Soma dos extremos | R$ 13.500 – 26.000 |
Uma observação sobre a faixa que costumamos citar, de R$ 15 mil a R$ 25 mil: ela não é a soma aritmética das linhas acima, e não deve ser lida como tal. A soma dos extremos vai de R$ 13.500 a R$ 26.000. Os extremos, porém, exigem que tudo caia junto para o mesmo lado — o piso pressupõe a tela mais barata, o player mais barato e a instalação mais simples nos cinco pontos ao mesmo tempo; o teto pressupõe o oposto. Na prática as escolhas se misturam, e é por isso que R$ 15 mil a R$ 25 mil funciona como faixa de referência, não como resultado de conta. Se você quer o número da sua rede, some as suas três linhas.
O que volta todo mês
E aqui é onde os projetos travam.
Internet no ponto. Você depende do Wi-Fi da loja, que troca de senha, que o dono reinicia, que tem o roteador atrás da geladeira. Um chip 4G por tela resolve. A conta que usamos é de R$ 30 a R$ 60 por tela/mês — R$ 150 a R$ 300 nos cinco pontos —, e ela é uma hipótese de plano e uso, não uma cotação. Dois fatores mexem nesse número: cobertura no endereço exato do ponto (o plano barato não serve se o sinal não chega no fundo da loja) e franquia de dados, que depende de quanto conteúdo novo a rede baixa por mês. Vídeo em rotação semanal consome muito mais do que imagem estática. É a linha que todo mundo esquece e que mais causa dor de cabeça.
Energia. Trocar "consome pouco" por um número ajuda a decidir. Uma estimativa ilustrativa, com as premissas explícitas:
| Premissa | Valor |
|---|---|
| Tela de 43–55" + player | 100–160 W |
| Operação | 12 h/dia × 30 dias |
| Consumo | ~36 a 58 kWh por tela/mês |
| Tarifa ilustrativa | R$ 1,00/kWh |
| Custo | R$ 36 a 58 por tela/mês — R$ 180 a 288 nas cinco |
Nada disso é medição: é uma conta de ordem de grandeza, e deliberadamente conservadora. As fichas técnicas dão o chão: o LG 43UL3J declara 80 W típicos e 120 W máximos; o Samsung QM43, 110 W em operação. Somando 5 a 15 W do player, o consumo típico real fica mais perto de 85–125 W, e a faixa de 100–160 W que usei cobre também o cenário de brilho alto. Traduzindo: se a sua tela for eficiente, a conta abaixo superestima — o que é o erro menos ruim de cometer numa planilha. O resultado varia com equipamento, brilho configurado, horas de operação e tarifa local — a tarifa de R$ 1,00/kWh é um número redondo para a conta, não uma tarifa nacional (a média residencial projetada pela ANEEL para 2026 é da ordem de R$ 0,85/kWh antes de tributos, e a conta final de um ponto comercial depende da distribuidora e dos impostos).
E uma ressalva que muda o resultado: em boa parte dos casos quem paga essa energia é o estabelecimento, porque a tela está ligada na tomada dele. Isso precisa estar escrito no acordo. Se o ponto assume a energia, ela sai da sua planilha — e contá-la nos dois lados é inflar o custo sem motivo.
Software. É a camada que permite operar as cinco telas sem visitar as cinco telas. No caso da Lucimark, o plano Profissional custa R$ 89/mês e cobre 5 telas — que é exatamente o cenário deste artigo. Há um plano Básico de R$ 49/mês para 2 telas, um Empresarial de R$ 149/mês para 10, e um plano gratuito de 1 tela para testar antes de comprar hardware. Vale começar por ele.
Conteúdo. Peça de vídeo bem feita custa dinheiro ou tempo. Rede com criativo ruim vende mal, e vender mal é o que mata a renovação. Se você produz internamente, esse custo aparece como horas suas; se terceiriza, aparece como nota fiscal. Nos dois casos ele existe e é recorrente, porque campanha nova não é evento único.
Suporte e manutenção. A linha mais difícil de estimar antes de operar, e a que mais varia. Entram aqui os deslocamentos até o ponto quando algo não se resolve remotamente, a substituição de equipamento que queima ou é furtado, e — dependendo do modelo comercial — alguma remuneração ao ponto pelo espaço, seja percentual da venda, valor fixo ou permuta.
Alguém para trocar o conteúdo. Essa é a linha invisível mais cara, e é a que decide se a rede escala. Se cada troca de campanha exigir uma pessoa indo até o ponto, a rede não passa do que essa pessoa consegue visitar. É exatamente por isso que a plataforma existe: atualizar as cinco telas do painel transforma um custo de deslocamento em alguns minutos de trabalho.
Não vou fechar um total mensal aqui, e a razão é simples: das seis linhas acima, duas — conteúdo e suporte/manutenção — só têm valor depois que você conhece a sua operação, e uma terceira, energia, pode nem ser sua. Somar as que têm número e apresentar o resultado como "custo mensal da rede" daria um número menor que o real. O que dá para dizer com honestidade: conectividade e software são previsíveis e somam R$ 239 a R$ 389 por mês nesse cenário de cinco telas (R$ 150–300 de internet mais R$ 89 de plataforma). O resto é seu para levantar.
Onde o dinheiro volta
Um ponto de venda com fluxo razoável em capital regional negocia entre R$ 300 e R$ 900 por mês por tela, dependendo de categoria e exclusividade. Com cinco telas ocupadas, isso é algo entre R$ 1,5 mil e R$ 4,5 mil por mês.
Diferente dos custos acima, essa faixa não tem tabela pública para conferir. As grandes operadoras de OOH publicam CPM, não aluguel de tela — na mídia proprietária de Eletromidia ou JCDecaux o CPM vai de R$ 15 a R$ 80, o que responde a outra pergunta que não a sua. O número aqui vem de negociação de rede pequena, e é o que você deve tratar com mais desconfiança no artigo inteiro. Levante o seu com dois ou três anunciantes reais antes de montar qualquer planilha em cima dele.
Três ressalvas antes de você multiplicar qualquer coisa por doze:
- Isso é receita bruta estimada, não saldo. Os custos de operação saem daí.
- Ela pressupõe ocupação comercial — cinco telas vendidas, não cinco telas instaladas. Rede nova costuma começar com uma ou duas vendidas.
- O valor é o efetivamente vendido, não o de tabela. Primeiro cliente quase sempre entra com desconto.
O caminho até recuperar o investimento tem três degraus, e vale não pular nenhum: a receita bruta, o saldo mensal (receita menos os custos de operação) e a recuperação do investimento, que é o investimento inicial dividido pelo saldo. É o saldo que paga o hardware, não a receita.
Por isso não dá para prometer prazo. Com as faixas deste artigo, o investimento vai de R$ 13,5 mil a R$ 26 mil e o saldo mensal depende de quantas telas estão vendidas, por quanto, e de quais custos são seus. Duas redes com o mesmo hardware podem ter prazos muito diferentes — e uma rede com uma tela vendida de cinco pode não ter prazo nenhum até vender a segunda.
Se quiser um exemplo para dar forma à conta, aqui vai um cenário hipotético, com todas as premissas na mesa: investimento inicial de R$ 20 mil; quatro das cinco telas vendidas a R$ 500/mês, o que dá R$ 2.000 de receita bruta; custos mensais de R$ 700 (internet, plataforma, conteúdo e uma reserva para deslocamento), com a energia por conta dos estabelecimentos. Saldo de R$ 1.300/mês, e R$ 20.000 ÷ R$ 1.300 ≈ 15 meses. Mude qualquer premissa e o número muda junto: a R$ 300 por tela e com cinco vendidas, o saldo cai para R$ 800 e o prazo vai a 25 meses. Esse exemplo é uma ilustração de método, não uma previsão da sua rede.
Uma coisa vale repetir porque não aparece em planilha nenhuma: tela vendida que ficou uma semana apagada não renova. As duas condições contam — vendidas e tocando.
O conselho
Comece com menos telas do que você consegue pagar, e gaste a diferença em duas coisas: conectividade dedicada por ponto e um caso bem documentado do primeiro cliente.
Na prática, isso é: validar poucos pontos antes de escalar, tratar conectividade como item de primeira linha e não como sobra de orçamento, acompanhar se as telas estão realmente tocando, e registrar os números dos primeiros meses — custo real, ocupação real, prazo real.
O que trava a segunda venda não é preço de hardware. É não conseguir mostrar que a primeira funcionou.

